Habitação coletiva

Vila Ipiranga

48 apartamentos de 42 e 56 m² em Laranjeiras, com área comum que o condomínio consegue pagar

Planta pequena não é planta apertada

O terreno é uma esquina de 940 m² em Laranjeiras, com desnível de 3,20 m entre as duas ruas e gabarito de quatro pavimentos. O programa pedia o máximo de unidades compactas que a legislação permitisse — e o risco, nesse tipo de encomenda, é entregar 48 caixas iguais viradas para o mesmo lado.

A implantação resolveu isso com dois blocos em L em torno de um pátio central sombreado, com circulação aberta. Todas as unidades têm ventilação cruzada, nenhuma tem janela de quarto voltada para a divisa e o pátio virou o endereço de verdade do prédio — é por ele que se chega em casa.

Local: Laranjeiras — Rio de Janeiro / RJArquiteto: Felipe Goudemann — CAU RJ A52908-1Escritório: Goudemann ArquiteturaTerreno: 940 m², esquina com 3,20 m de desnívelUnidades: 48, de 42 e 56 m²Área construída: 3.280 m²Execução: Vértice Engenharia e ObrasPrazo de obra: 18 mesesEntrega: setembro de 2026

Quarenta e dois metros quadrados bem gastos

A unidade de 42 m² tem um quarto, sala integrada à cozinha, banheiro e varanda de 4,2 m² com tanque e ponto de máquina. O que faz ela funcionar não é o metro quadrado: é a largura. A sala tem 3,40 m de frente livre, suficiente para sofá e mesa na mesma parede, e a cozinha está encostada na prumada, o que libera o resto da planta de qualquer restrição.

Nada de parede de marcenaria embutida entregue pela construtora. O apartamento sai com piso, pintura, esquadria e louça — e com um manual de três páginas mostrando onde é parede de vedação e onde é estrutura, para o morador poder reformar sabendo o que pode derrubar.

Área comum que cabe no condomínio

Prédio pequeno quebra quando a área comum é cara de manter. Aqui são três itens e só: o pátio, uma lavanderia coletiva com quatro máquinas e um salão de 38 m² que também serve de espaço de trabalho durante a semana. Sem piscina, sem academia, sem portaria 24 horas — o controle de acesso é remoto, com interfone em vídeo e serviço de concierge virtual. A previsão de condomínio na entrega ficou em R$ 310 por unidade.

Estrutura em execução, com a Vértice no canteiro

Estrutura em execução, com a Vértice no canteiro

Içamento das primeiras lajes do bloco B

Içamento das primeiras lajes do bloco B

Fachada: cobogó e manutenção

A face oeste recebe sol de rachar das 15h às 18h. A solução foi um painel de cobogó cerâmico nacional afastado 60 cm da fachada, que sombreia a circulação sem fechar a ventilação e dá ao prédio a única decisão estética cara do projeto — que também é a que reduz o ganho térmico.

Pátio central entre os dois blocos

O pátio é o projeto

O desnível de 3,20 m entre as ruas foi transformado em arquibancada de concreto no pátio, que absorve a diferença de cota e serve de estar coletivo. Em volta, quatro quaresmeiras e piso drenante.

A circulação é aberta e passa por ali: o morador do quarto pavimento cruza o pátio todos os dias. É uma decisão de projeto barata e a única coisa capaz de fazer 48 famílias se reconhecerem como vizinhas.

R$ 310

previsão de condomínio por unidade na entrega, com lavanderia coletiva e portaria remota.

100%

das unidades com ventilação cruzada; nenhuma com janela de quarto voltada para a divisa.

18 meses

de obra, com estrutura convencional e alvenaria de bloco estrutural a partir do segundo pavimento.

Goudemann Arquitetura

Habitação coletiva, equipamento público e concursos. O escritório trabalha com estudo de implantação testado em alternativas e maquete física em cada etapa — e mostra a conta de cada decisão.