Entrevista
«O cliente me chama no acabamento. Eu preciso ser chamada na elétrica»
Patrícia Amorim, Solaris Automação e Energia · ProjetRIO, setembro de 2026
Nove anos integrando casa com obra
Patrícia Amorim é engenheira eletricista e responsável técnica da Solaris, que desde 2017 faz automação, iluminação técnica e energia solar em obras residenciais no Rio. A conversa foi sobre o erro mais comum e mais caro do setor: tratar casa inteligente como compra de equipamento, e não como infraestrutura.
Entrevistada: Patrícia AmorimEmpresa: Solaris Automação e EnergiaRegistro: CREA RJ 2017153902CNPJ: 27.055.916/0001-73 · desde 2017Protocolos: KNX e ZigbeeEntrevista: 19 de setembro de 2026, no Recreio
A conversa em vídeo

VídeoEntrevista com Solaris Automação e EnergiaPor que automação precisa entrar tão cedo na obra?
Porque 80% do que ela é já está dentro da parede. Conduíte independente, caixa de passagem, ponto de rede cabeada, espaço de quadro, previsão de carga, caminho para persiana motorizada. Se isso não foi feito na fase de elétrica, o que sobra depois é equipamento sem fio remendado, e aí o sistema fica parecendo gambiarra — porque é.
O custo também muda de ordem. Infraestrutura prevista na obra custa uma fração; a mesma infraestrutura aberta depois, com piso e forro prontos, pode custar cinco vezes mais e nunca fica tão boa. Não é venda: é física e cronograma.
Qual é o escopo mínimo que vale a pena?
Iluminação com cenas, persiana nos quartos voltados para o leste e um painel na entrada com desligamento geral. Isso já muda o uso da casa todos os dias e custa pouco quando entra junto com a elétrica. Daí para cima é escolha do morador: climatização, áudio, CFTV, irrigação, solar.
O que eu desaconselho é começar pelo meio — comprar fechadura, assistente de voz e lâmpada inteligente de três marcas diferentes. Vira uma casa com cinco aplicativos, e no fim ninguém usa nenhum.
Casa com e sem fio: qual é a diferença na prática?
Cabo é o que você instala e esquece. Sem fio é o que você reinstala. Em obra nova eu só faço cabeado nos sistemas que precisam de confiabilidade — iluminação, climatização, persiana, rede, câmera — e deixo sem fio para o que é complemento: sensor, tomada avulsa, controle.
Em reforma leve, sem quebrar parede, aí sem fio é o caminho. Mas o morador precisa saber que vai depender de Wi-Fi bom e que daqui a cinco anos talvez troque tudo, porque o fabricante encerrou a linha.
Painel de controle na entrada, com cenas programadas
Iluminação técnica em rasgo de gesso, com cenas por ambiente
«Automação remendada depois do contrapiso custa duas vezes e funciona pela metade. Nunca vi exceção em nove anos.»
Patrícia Amorim
Em números
80% da automação é infraestrutura, não equipamento5× é o custo de abrir depois o que não foi previsto1 painel na entrada resolve o uso diário108 módulos solares na maior obra entregue
Energia solar em casa no Rio se paga?
Se paga, e o prazo hoje está entre quatro e sete anos, dependendo de consumo, orientação do telhado e sombreamento. O que muda a conta não é o painel: é a conta de luz da casa. Em residência com piscina aquecida, ar-condicionado em três quartos e carro elétrico, o retorno é rápido. Em casa de consumo baixo, o investimento faz menos sentido.
Eu costumo pedir doze meses de fatura antes de orçar. Quem orça solar sem olhar histórico de consumo está vendendo painel, não resolvendo problema.
O que a sua equipe entrega no fim da obra?
Diagrama de infraestrutura conforme construído, quadro e conduíte etiquetados, cenas programadas e testadas, e treinamento — do morador e também de quem cuida da casa, porque é essa pessoa que vai apertar o botão todo dia. Mais o plano de manutenção anual.
A documentação é a parte que o cliente valoriza dois anos depois, quando quer acrescentar um ambiente e descobre que existe conduíte sobressalente e um desenho dizendo onde ele está. Sem isso, qualquer ampliação começa com quebra-quebra.
O que você diria para o arquiteto que vai especificar automação?
Chame o integrador na mesma reunião em que você fecha o projeto elétrico, não depois. E deixe espaço de quadro: o número de disjuntores e módulos de uma casa automatizada é o dobro do convencional, e já perdi conta de quantas obras tive de resolver com quadro em corredor porque não havia parede sobrando.
A outra coisa é combinar quem manda na cena de luz. Projeto luminotécnico e automação precisam sair da mesma conversa, senão o morador recebe uma casa com trinta circuitos e nenhuma lógica para usá-los.





Obra começando?
A Solaris entra junto com o projeto elétrico e entrega o diagrama de infraestrutura antes do contrapiso — é o momento em que automação ainda é barata.













