Projeto residencial
Residência Pedra do Joá
540 m² em terreno de aclive, no Joá, com a sala a 28 metros acima do nível da rua
Uma casa que desce o morro em vez de cortá-lo
O terreno tinha 38% de declividade média, vista aberta para a Pedra da Gávea e uma restrição que decidiu o projeto: o laudo geotécnico recomendava não desmontar o afloramento rochoso na cota mais alta. Em vez de aplanar o lote, a casa foi desenhada em três patamares que acompanham a curva natural do terreno, ligados por uma única escada externa coberta.
O resultado são 540 m² construídos que parecem menos, porque nenhum volume tem mais de dois pavimentos aparentes. A rocha ficou onde estava e virou a parede de fundo da sala de estar.
Local: Joá — Rio de Janeiro / RJArquiteta: Marina Queiroz — CAU RJ A98472-3Escritório: Queiroz ArquiteturaTerreno: 980 m² · declividade média de 38%Área construída: 540 m² em três patamaresExecução: Vértice Engenharia e ObrasMarcenaria: Átrio Marcenaria e InterioresAutomação e iluminação: Solaris Automação e EnergiaPrazo de obra: 19 mesesEntrega: setembro de 2026
O que a sondagem disse antes do primeiro risco
Foram seis furos de sondagem a percussão e dois mistos. O solo é residual de rocha alterada, com impenetrável entre 3,10 m e 6,40 m — raso o bastante para dispensar estaca longa e irregular o bastante para proibir uma laje única apoiada em sapatas de mesma cota. A solução estrutural foi dividir a casa em três blocos independentes, cada um com sapata própria apoiada em rocha sã e junta de dilatação de 4 cm entre eles.
A contenção do talude de fundos levou cortina ancorada com 14 tirantes protendidos e barbacãs a cada 2,50 m. O cálculo foi feito com o terreno saturado, hipótese de verão carioca, não com a umidade do dia da medição — detalhe que eleva o custo da contenção em cerca de 12% e evita a trinca que aparece três chuvas depois.
Implantação: o volume social no patamar intermediário
Acesso de pedestres, com a rocha preservada à direita
Água é o inimigo, não o aclive
Casa em morro no Rio não sofre por causa da inclinação: sofre por causa da água que desce por ela. O projeto tratou drenagem como sistema, não como detalhe de obra. Dreno francês no pé de cada talude, canaleta de crista acima da cortina, caixas de passagem visitáveis a cada mudança de direção e descida independente da água de telhado — nada de água pluvial encontrando esgoto.
Nas lajes expostas, manta asfáltica de 4 mm com véu de poliéster, dupla camada nos rodapés e teste de estanqueidade de 72 horas com lâmina de 5 cm antes de qualquer contrapiso. Nas jardineiras, dreno com manta geotêxtil e camada drenante de argila expandida.
O que ficou monitorado
Oito sensores de umidade embutidos atrás das paredes de contenção e sob o deck da piscina mandam leitura diária para o painel da casa. Não é enfeite: se a leitura de um setor sobe e não volta, existe infiltração nova, e o morador descobre antes de a mancha aparecer na parede da sala.
Três patamares, um percurso só
O patamar de chegada tem garagem para três carros, depósito e a suíte de hóspedes, que funciona separada do resto da casa. Oito degraus abaixo está o patamar social: cozinha, sala de jantar, estar e varanda de 92 m² voltada para o mar, tudo em um único plano sem desnível interno, com esquadria de correr que recolhe inteira na alvenaria.
O patamar inferior é só dos quartos — três suítes e a master com closet e banheiro voltados para o jardim interno. Nenhum quarto divide parede com área molhada do vizinho, e a prumada hidráulica foi concentrada em duas shafts visitáveis pelo corredor. É o tipo de decisão que não aparece em foto e resolve manutenção por trinta anos.
Esquadrias e insolação
A fachada noroeste recebe sol forte das 14h às 17h. Em vez de reduzir o vão, o projeto manteve o pano de vidro e resolveu por fora: brise de alumínio com lâmina orientável e beiral de 2,20 m calculado pela carta solar do Rio. O vidro é laminado duplo de controle solar com PVB acústico — a casa fica a 180 m da Autoestrada Lagoa–Barra, e o ganho em silêncio foi o argumento que convenceu os clientes do custo.
Cozinha com ilha em quartzito nacional e marcenaria em freijó
Suíte master: madeira clara, linho e vista para o jardim interno
Marcenaria
Freijó termotratado e compensado naval nas áreas úmidas, detalhado módulo por módulo pela Átrio depois do levantamento a laser do ambiente pronto.
Automação
KNX com quadro etiquetado e conduíte sobressalente em cada ambiente. Cenas de jantar, cinema, dormir e viagem programadas na entrega.
Iluminação
Luz indireta em rasgo de gesso, trilho embutido nas áreas de obra de arte e balizamento externo em 2700 K, com dimerização por cena.







Queiroz Arquitetura
Seis obras por ano, projeto executivo detalhado e visita semanal ao canteiro. Se você tem um terreno difícil — aclive, rocha, vista para preservar —, é exatamente esse o tipo de problema que o escritório gosta de resolver.














